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“QUE PÃO COMEMOS?” - Ação de sensibilização para o 9.º ano

Nos dias 29 de janeiro e 6 de fevereiro, na Escola Básica e Secundária do Cadaval, o Sr. João Vieira, residente na Póvoa e conhecido como “Guardião de Sementes da Estremadura”, interpelou os alunos do 9.º ano e respetivos professores com a pergunta “Que pão comemos?”.

Nestas sessões, realizadas no âmbito do DAC “Estilos de vida saudável”, o Sr. João manifestou a sua crença nas sementes do Trigo Barbela (do latim, Triticum Barbula), por se tratar de uma variedade de trigo ancestral, originário do Crescente Fértil, que foi trazido para Portugal e que faz parte do património genético nacional e em especial do concelho do Cadaval, por se adaptar muito bem aos terrenos do sopé da serra e por já ser produzido aí há várias gerações.  

Ciente de que o pão é um alimento de primeira necessidade, o Sr. João salientou que conviria que se ingerisse um pão que nutrisse e não um pão que enchesse, ou seja, que fosse confecionado com um trigo de qualidade inquestionável como o Trigo Barbela, pois só um “Bom grão dará bom pão”. Nesse sentido, destacou uma série de vantagens do uso destas sementes tradicionais: baixo teor de glúten; alto teor nutricional; resistência a terras menos férteis; dispensa do uso de herbicidas; resistência às alterações climáticas; preservação das tradições.

À semelhança do seu pai e do seu avô, que cultivavam trigo de palha alta, o Sr. João trabalha num sistema integrado de autoconsumo: faz a sementeira e a moagem integral e a sua filha confeciona o pão. Consciente de que produzimos apenas trigo para os primeiros dias do ano, que dependemos do trigo importado e de que a qualquer momento pode surgir uma crise alimentar, defendeu a necessidade de cultivar o trigo nacional no Cadaval, região que já foi farta em trigo. O Sr. João acredita que os tempos são de mudança: os trigos antigos estão a despertar interesse e muitas pessoas já procuram alimentos que lhe garantam uma alimentação saudável. Para que essa alimentação consciente se concretize, afirmou a necessidade de preservar estas sementes antigas, que passaram todos os testes através da história, ao contrário dos trigos novos, que foram sendo alterados.

O Sr. João disponibilizou-se para conversar com os jovens do 9.º ano por considerar que podem contribuir para a recuperação da nossa história. Numa região tão propícia ao cultivo do Trigo Barbela, é essencial formar pessoas na arte da agricultura. Numa zona povoada por tantos moinhos, é essencial formar na arte da moagem tradicional. Mas a sua ação não passa apenas pela transmissão dos saberes que adquiriu ao longo dos seus 84 anos, pelo contrário, o Sr. João partilha as sementes para que outras pessoas façam uma experiência (confecionar o seu pãozinho, aprender a saboreá-lo e ver os seus benefícios) e, partindo dessa experiência, possam acolher a produção dos tempos antigos e torná-la mais alargada e já fora dum contexto artesanal.

A sábia mensagem do Sr. João aos jovens foi bem clara: é preciso que as pessoas se aproximem da agricultura e compreendam o que se passa desde que a semente entra na “Mãe Terra” até que chega à mesa. O pão é, por excelência, um produto de proximidade: podemos ter perto o trigo, a moagem e o pão. Para evitar a pegada ecológica, os produtos alimentares devem ser feitos o mais perto possível do consumo.

No final de cada sessão, o Sr. João, defensor das sementes tradicionais pela sua importância nutricional, ambiental e até cultural, convidou cada aluno a sentir os grãos de trigo nas suas mãos e desafiou cada um a ser um promotor do Trigo Barbela. Há que lançar as sementes para que germinem…

Estes encontros foram realizados em parceria com o Município do Cadaval, na pessoa da Dra. Ana Mendonça, Técnica Superior de Ambiente, que fez questão de estar presente e que proferiu algumas palavras de incentivo pela realização deste tipo de encontros intergeracionais de partilha de saberes. As sessões foram programadas em parceria com o Projeto Eco-Escolas, fazendo jus à ideia de que "Precisamos aprender a cuidar de nós mesmos, do outro e do Ambiente em que vivemos.".


Professora Anabela Penas



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